Palavras Mudas
Tudo o que ninguem precisa escutar, entao eu apenas escrevo para esse ninguem que talvez queira me ler.

Eu adoro... escrever, poetizar. Escrever sobre minha vida inventada, sobre meus sentimentos mais profundos, às vezes inexistentes...

"Os olhos contam com sinceridade o que com palavras são só meias verdades." - Essa minha frase apenas desmoraliza meu blog, mas é meu dever poético propagá-la.

Eu odeio... esses blogs cheios de estrelinhas, gifs animados, pisca-piscas, música de fundo e outros frufrus ridículos... Aqui encontrarás apenas poesia em abundante quantidade. De qualidade prefiro não dizer, desde que você possa me entender.



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Os dez primeiros capítulos do meu conto Ilha de Sogno, ainda inacabado. Talvez até eternamente inacabado, mas leiam e digam o que acham. A estória já tem 21 capítulos, e não sei até aonde vai...

Comente o conto Ilha de Sogno ()

** Cap I **
O telefone na casa do capitão John Sanders tocou. Quem poderia ser? Não sabia, mas pressentiu que seu sono terminaria ali. Ninguém ligaria a essa hora para ele se não fosse urgente.

Mal sabia ele que o dia já começava. Atendeu ao telefone, antes de falar, uma voz dura e calma ressoou em seu ouvido:

- Capitão Sanders, vá até a Rua Principal, em frente à Igreja da Diva...

- Quem está falando? - o capitão parecia assustado, mas em algum ponto de sua mente a voz era familiar.

O homem já havia desligado. Sem saber o que esperar, pegou sua arma debaixo do travesseiro, conferiu o pente, colocou uma roupa qualquer, tentou em vão se comunicar com a delegacia e partiu rumo ao local informado.

Do outro lado da cidade, próximo à Igreja, na Rua Principal, jazia um corpo sem vida. Mas antes de perdê-la, sofreu muito.

O homem voltava para casa, quando foi atacado com uma paulada na nuca. Não pôde ver quem desferiu o golpe, pois desmaiou imediatamente. Morreu com a imagem da gélida Rua Principal da pequena cidade de Dyren, na oculta Ilha de Sogno. E, como se esse castigo não bastasse, o assassino tratou as costas do morto como uma tela de pintura, aonde desenhou dois triângulos em direções opostas, formando um hexagrama. Essa pintura macabra foi feita com uma faca, que cortou o dorso do homem profundamente. Além desses cortes, foram escritos sete nomes, divididos simetricamente um em cada ponta.

A sirene soava ensurdecedora no breu da madrugada.

O capitão John Sanders chegou à cena do crime. Estacionou o carro no enorme pátio em frente a igreja, poucos metros distante do corpo inerte no solo, e antes de sair do carro, tentou novamente ligar para a delegacia. Sem resposta. Saiu em meio a escuridão que tornava o campo aberto bastante perigoso.

A porta da Igreja se abriu, e o capitão levou a mão à sua arma, sem ainda ter olhado o corpo.



** Cap II **
O Padre Afonso Ribas rezava de joelhos no altar da Igreja, apenas à luz da lareira, vestido com uma bata negra. A luz da Lua entrava pelo teto da maravilhosa Igreja.

A Igreja da Diva era um dos inúmeros eternos mistérios da Ilha de Sogno. De acordo com os historiadores, o templo foi construído há mais de sete séculos. O piso de granito escuro contém desenhos até hoje incompreendidos. As paredes são em pedras brancas como a neve, e lisas como mármore. Os cubos gigantes empilhados para formar essas paredes pesavam mais de dez toneladas cada. E, o mais misterioso dos segredos dessa Igreja, o teto de um material transparente, que aparenta ser vidro, mas na realidade é de algum material desconhecido do mundo, carinhosamente chamado de pedras-da-Diva pelos habitantes da ilha. As pequenas amostras retiradas para análise se dissolveram como pó, e isso faz todos acreditarem que essa Igreja não foi construída para a Deusa Mãe, e sim construída por ela própria antes de partir para seu eterno exílio.

O padre trouxe sua mente de volta ao mundo com o barulho de sirenes que se aproximavam. Sentiu elas pararem à porta da Igreja. Inicialmente assustou-se, depois levantou-se e, carregando toda sua avançada idade sobre a bengala que ajudava suas frágeis pernas, caminhou até a imensa porta de madeira branca talhada. Por instantes pensou em esconder-se. Talvez fosse melhor, mas seu espírito não poderia dormir em paz se recusasse a brutalidade do mundo exterior que estava prestes a presenciar.

Girou a chave do cadeado, retirou com dificuldade a trave de madeira que cruzava as duas extremidades da porta, puxou a argola dourada e a porta da Igreja abriu. O padre não pode dar passo algum, pois tinha uma arma apontada para ele.

O capitão, ao reconhecer o homem, baixou o revólver e caminhou em sua direção.

- Desculpe padre - o capitão tentava parecer calmo, sem muito êxito. - A situação é perigosa, peço que fique na igreja.

O padre, ignorando o pedido, aproximou-se da região que estava sendo isolada pelos policiais que acabavam de chegar.

- O que aconteceu aqui? - o padre fitou o corpo e fechou os olhos, fazendo o sinal da cruz. - Credo!

- Padre Afonso, aconteceu um assassinato aqui! - o policial identificado por detetive Brian Soker falava quase gritando - Em frente à sua igreja! Deixe-nos trabalhar, senhor!

Bastante abalado, o padre olhou o corpo, agora por tempo suficiente para reconhecê-lo. O homem acabara de sair da igreja, e agora estava morto. Virou-se para o capitão John Sanders:

- Capitão... - falou com a voz fraca e assustada - é seu irmão.



** Cap III **
Sanders congelou por um instante, depois olhou para o corpo iluminado pelas luzes das sirenes dos carros policiais que haviam chegado. Era seu irmão Erick. O capitão tentou não acreditar, mas sabia que era verdade. A vítima era seu irmão.

A tristeza o fez voltar ao passado, quando os dois conviviam, eram além de irmãos, muito amigos. Inseparáveis. Numa única noite, a amizade eterna desmoronou. E agora, em mais uma noite, tudo terminou. Não seria mais possível haver uma reconciliação. Erick Sanders estava morto, com requintes cruéis. John sentiu-se disposto a desvendar o crime e encontrar o assassino para tratá-lo igual seu irmão foi tratado.

A cena chocou-o. Nas costas do irmão, tinham sete nomes escritos à sangue, com uma faca fincada em um deles.

- Sanders - era Brian Soker tentando acalmá-lo -, o senhor não deve se envolver nessa investigação. Deixe que nós faremos todo o possível...

- Brian! Você acha que eu vou conseguir voltar pra minha cama e dormir?! - Sanders se descontrolou - Não! Antes de dormir, eu quero esse criminoso pagando seus pecados! - e deu um soco no poste em que estava apoiado.

Sanders passou alguns minutos olhando o corpo, não pela tristeza, mas para encontrar algum detalhe que havia faltado em sua observação antes de sair para uma caçada particular. Percorreu o perímetro do isolamento em busca de uma pista sólida.

- Capitão... - o padre Afonso chamou-o - seu irmão foi assassinado logo após sair da Igreja.

- Tinha alguém com ele?

- Não. Ele foi o último a sair antes de eu trancar a porta. Ficamos conversando um pouco aqui em frente. Deve ter sido logo depois que eu fechei a porta. Pelo que ele conseguiu andar, o criminoso já estava muito perto dele.

- E o senhor não viu nada?! - Sanders estava indignado.

- Desculpe... - o padre virou para entrar na Igreja - vou me deitar. Boa noite.



** Cap IV **
O corpo de Erick estava caído de forma que sua cabeça apontava a igreja. Aonde seu nome estava inscrito, o assassino fincara a faca usada.

A polícia da divisão de homicídios pesquisava o corpo imóvel sem resultados.

- Vocês poderiam tirar o corpo daqui, em breve a cidade acordará! Espero não precisar explicar o que um defunto faz deitado em frente à igreja! - era o capitão falando. Estava em pé olhando o corpo, já aceitando a procura por pistas como encerrada. O detetive Brian, que aparentemente era quem chefiava a investigação, concordou:

- Capitão, recolheremos o corpo imediatamente.

Sanders agradeceu com um gesto positivo com a cabeça.

Quando o corpo começou a ser removido, um pedaço de madeira foi descoberto embaixo do corpo. O assassino deixara não só a faca como também o pedaço de pau que dera o primeiro golpe.

A madeira continha inscrições rabiscadas, mas nada era legível. Sanders colocou uma luva e pegou a madeira.

- Brian! Tire a faca do corpo.

- O senhor sabe que eu não devo fazer isso, capitão. O corpo deve ser recolhido do modo como encontramos para investigação.

O capitão Sanders partiu em direção à faca, com a clara intenção de retirá-la a força.

- Me dê esta faca! - empurrou Brian e outro policial que tentou segurá-lo, puxando a faca do corpo.

Como ele esperava, outras inscrições estavam desenhadas na lâmina da faca. Tão irreconhecíveis quanto as da madeira. Durante alguns minutos Sanders olhou para as escritas tentando extrair algum significado. Nada.

O policial que há pouco tinha sido empurrado por Sanders, identificou-se como detetive Martin Ablas, pediu as duas armas, que Sanders entregou, relutante. Martin colocou a madeira no chão e fincou a faca em um ponto que parecia já ter sido perfurado antes.

Sanders percebera a cavidade formada na madeira, mas não suspeitou de tal relação com a faca.



** Cap V **
Os primeiros raios de sol brotavam na Colina de Medik, indicando o início de mais um dia na Ilha de Sogno.

A cidade aos poucos ganhava vida. As sirenes próximas à Igreja denunciavam o ocorrido da madrugada. Boatos corriam pela ilha, mas a verdade permanecia oculta. Apenas o padre e a polícia sabia o que acontecera, e não pareciam muito dispostos a disseminar o pânico na pacífica cidade de Dyren.

Ao longe, distante da polícia, andando pelas vielas da cidade, estava o assassino. Em seu ouvido, um telefone celular:

- És Angello! - se identificou.

Do outro lado da linha, uma voz gélida:

- Diga, meu filho.

- O primeiro se foi, Satam! Até a noite cair, seis pessoas o acompanharão no inferno.

O telefone ficou mudo por alguns instantes, então o homem do outro lado da linha desligou.

Angello continuou sua caminhada, rumo a sua próxima vítima. Acabara de chegar à cidade, cumpriria a missão para a qual foi contratado, e voltaria para sua terra natal ainda esta noite. Para ele, matar é uma arte. Erick Sanders foi fácil. A noite foi sua cúmplice. Ninguém o viu.

Agora sua tarefa se tornava mais complicada. À luz do dia, esconder-se seria mais difícil. Matar é uma arte. E a arte é mais perfeita quando é repleta de desafios.

Sua próxima vítima era idosa, mas morava na casa do homem mais rico da cidade: Alex Omaki. Durante o dia, a mulher estaria só. Os habitantes da casa eram dois empregados, que acompanhavam Alex todo o tempo, Sofia Armani, e sua filha Rosa Armani Omaki, que Angello já havia providenciado que não estivesse na residência.

O serviço deveria ser rápido e silencioso. Limpo e perfeito. A especialidade de Angello.



** Cap VI **
Sanders olhou a lâmina da faca, que refletia a luz do sol. Colocou a madeira na altura dos olhos, examinando a misteriosa montagem feita pelo detetive Martin.

- Meu Deus! - o coração de Sanders pulou - Detetive Martin, parabéns!

- O quê?! - Martin Ablas não entendeu a congratulação.

- Olhe! - Sanders colocou a madeira nos olhos de Martin, na mesma posição que antes apontava para ele. O reflexo das inscrições da madeira refletiam na faca, fundindo os rabiscos dos dois objetos formando palavras, que com alguma dificuldade foram compreendidas.

Siga na direção que a faca aponta
O terror que teu coração defronta
Quando a ponta mata, o sol direciona
o punido pelo anjo virá a tona

Os dois liam e reliam os versos em voz alta, enquanto Brian copiava-os em um bloco de anotações. Sanders ainda estava em estado de choque com essa descoberta. O assassino não queria apenas matar, queria também jogar com a polícia, correr enquanto indicava a direção.

Os pensamentos dos três estavam no primeiro verso. A direção que a faca apontava claramente era o chão, ou talvez, antes de ser removida, apontasse Erick. Mas estes versos eram uma provocação, uma pista para que quando descobrissem, fosse tarde demais.

Martin colocou a madeira em cima do capô do carro de Sanders.

O sol direciona... Sanders olhava para o sol que nascera na direção da Igreja. Será que seguir para leste sem um objetivo seria a opção? O raciocínio dos três não chegava a lugar algum.

O capitão tentou novamente olhar a faca para procurar algum detalhe esquecido. Neste instante, tudo lhe pareceu claro. Levantou os olhos para o horizonte, e mirou a resposta.



** Cap VII **
- Brian, você ficou com as fotos do corpo do Erick? - Sanders perguntou já sabendo a resposta. Brian tirou do paletó algumas imagens.

O próprio nome escrito no centro do hexagrama não o preocupava. Na foto, a faca estava fincada sobre o nome de Erick. Fora a primeira morte. Percorreu os olhos pelos outros nomes.

- Espero estar errado, mas acho que a intenção do assassino é fazer um show. - Sanders falava - Devemos proteger os outros nomes dessa lista o mais rápido possível! E, estes versos - apontou para a faca - mostram aonde estará a próxima vítima.

Os outros continuavam sem compreender os versos, e permaneceram calados para Sanders explicar.

- O sol direciona! A direção do sol agora de manhã é à leste - mostrou a igreja com um gesto largo. - Mas acho que ninguém seria louco de cometer um crime dentro da Igreja da Diva. Então, devemos seguir a direção que a faca aponta - Martin e Brian viraram-se para a faca e entenderam o que Sanders dizia. A faca mata, enquanto o sol direciona. A sombra da faca apontava claramente na direção da mansão de Alex Omaki, um dos nomes na lista.

Os três partiram em alta velocidade rumo à Mansão Omaki, que dali parecia apenas uma pequena casa ao longe.



** Cap VIII **
- Devemos intervir! - era Alvo gritando.

Na cidade divina de Utopia, os deuses assistiam ao terror que estava prestes a dominar a ilha.

- O livre arbítrio é um dom que demos à humanidade. - A deusa-mãe Azi discursava. - Quando saímos do plano terrestre e viemos para Utopia, todos juramos deixar os homens seguirem o caminho que por eles fosse trilhado.

Utopia era a cidade criada pelos deuses para se refugiar. A Ilha de Sogno um dia foi divina, Deuses e humanos caminhavam lado a lado. Nesta ilha nasceu a raça humana.

- Também prometemos um dia retornar! - Amon falava com convicção.

- Voltaríamos quando a humanidade tornasse o convívio entre homens e deuses novamente possível. - Azi respondeu secamente. - Os homens não se entendem nem mais entre eles, Amon! Como podemos esperar sobreviver se voltarmos para a Ilha de Sogno?

No começo dos tempos, existiam apenas deuses sobre a Terra, todos vivendo juntos em Sogno, uma ilha sagrada. Localizada no meio do Oceano Atlântico, é o lugar que atualmente é conhecido pelos historiadores por Atlântida.

Os deuses sentiam-se sós, e tentaram criar as mais diversas espécies até chegar a uma igual ao homem. Desde os pequenos animais até os dinossauros, todos criados na Ilha de Sogno. Quando concluiram que o convívio com os dinossauros não seria possível, jogaram um meteoro para recomeçar a vida terrena.

Aos poucos, Azi criou o que hoje são os homens. Distribuiu-os pelo mapa terrestre, e deu a eles o que ela nunca tivera coragem de fazer, por ter medo das consequências. Deu-lhes a liberdade para pensar.



** Cap IX **
Angello tocou a campainha da Mansão Omaki, e Sofia Armani atendeu ao interfone:

- Quem está aí? - ela não estava acostumada a receber visitas enquanto estava sozinha.

- Sofia! Não reconhece mais este pobre homem?

- O senhor sabe que o Alex está no escritório! - respondeu ríspida.

- Sei sim. Ele me pediu para deixar aqui algumas investigações que fiz.

- Ele me contou! Pode entrar... - Alex Omaki avisou Sofia que Angello entregaria alguns arquivos que tinha requisitado.

O portão se abriu e Angello começou a subir a escada circular, que levava à porta de entrada. Lá estava Sofia sorrindo. Apesar da idade avançada, ela continuava bela. Aproveitava-se do dinheiro do genro para cuidar-se.

Ela estendeu a mão para pegar os papéis que estavam com Angello:

- A senhora não sabe mais receber visitas, Sofia? Vamos conversar um pouco.

Sofia ficou encabulada, e fez um gesto para ele entrar. Angello olhou o aposento que já conhecia, sentou-se no sofá.

- Angello, o senhor aceita um chá? - a pergunta de Sofia foi respondia com um movimento positivo com a cabeça. - Vou na cozinha fazer. Cinco minutinhos...!

Ela saiu em direção à cozinha. Ele se levantou, foi até o quarto de Alex, deixou os documentos na escrivaninha, bagunçou um pouco o lugar, e voltou a sentar-se. Hesitou por alguns instantes e mudou seus planos.

Assustou Sofia ao abrir a porta da cozinha, entrou e começou a conversa.

- Alex volta a que horas?

- Ele trabalha apenas pela manhã. Voltará ainda no almoço.

Enquanto Sofia pegava as xícaras de chá, Angello tirou da cintura o revólver que acabara de pegar no quarto de Alex. Pequeno, usado apenas em casos especiais, como dizia Alex. Essa era uma situação bastante especial, ao menos para Angello. Não poderia fazer muito barulho, e ele bem sabia que a arma era silenciosa.

Apontou para Sofia, que deu um grito, abafado rapidamente pela mão em sua boca. Angello a fez deitar no chão gelado da cozinha:

- Desculpe, Sofia! A senhora sabe que deve ser castigada por tudo que fez com sua filha durante a vida. - E sem piedade, atirou. A velha Sofia morreu chorando.

Antes de sair, Angello remontou a cena do crime.



** Cap X **
- Azi! - Alvo estava em desespero. - Você vai esperar mais pra enviar alguém?!

- Alvo, o senhor ainda acha que estamos na Terra? - A pergunta de Azi fez com que Alvo refletisse. Ele sabia que Utopia não ficava no plano terrestre, e entendeu o que Azi tentou dizer.

Depois de destruir os dinossauros, Azi percebeu o mal que fez à Terra. Por milhões de anos, todas as espécies que saiam de Sogno morriam. O poder dos Deuses não era suficiente para impedir isso. Desde então, nunca mais tentaram destruir o que criaram.

Quando percebiam que a Terra se aproximava da calamidade, enviavam algum homem da ilha, conhecido como iluminado. Saía com a missão de contornar a situação e disseminar a paz. Nem sempre deu certo.

Quando Mahatma Gandhi partiu para trazer a paz no oriente, deu certo. Mas outros nem tanto. Azi começava a se arrepender do livre arbítrio instituido aos homens. Adolf Hitler saiu de Sogno com o objetivo de trazer a paz de volta à Europa, que mesmo com o fim da Primeira Guerra Mundial, ainda estava dividida.

Foi corrompido pelo que há de mais tentador: o poder. Teve a nação alemã em suas mãos. Mas o país ainda era oprimido, e tentou impor o seu poder ao mundo.

Quando alguns não seguiram o que ele julgava ser o ideal, ele fez o que nós tínhamos decidido jamais fazer novamente. Destruir, ao invés de mudar. Uma péssima escolha.

O mundo chegou próximo do fim, não fossem alguns iluminados enviados para evitar o fim do mundo durante a Guerra Fria. Hiroshima e Nagasaki não foram nada perto do que quase aconteceu. Os EUA não existiriam mais, e ninguém sabe disso.

Azi continuou, recusando a idéia de enviar alguém à Ilha:

- Os iluminados agora estão lá embaixo se matando! Os que sobraram na Ilha são tão iluminados quanto as noites escuras da Terra. Basta olhar o que os últimos enviados fizeram: George W. Bush ainda tenta destruir o mundo!

Palavras Mudas é uma marca registrada no mundo da poesia; Poeta Cego é apenas um imbecil com o objetivo de poetizar pelos quatro cantos desse mundo; todos os leitores inexistentes podem chamá-lo Poeta Mudo.